QUESTÕES PARA UM ENSINO DE LÍNGUAS SENSÍVEL À INFÂNCIA E À DEFICIÊNCIA: VIVÊNCIAS NO CURSO ESPANHOL ACESSÍVEL - MI CARIÑO (2022-2024)

Auteurs-es

  • Beatriz Furtado Alencar Lima
  • Marcelo Rocha Vieira

Résumé

Este artigo objetivou apresentar um panorama, na forma de relato de
experiência, sobre o que foi vivido, ao longo de três anos (2022, 2023 e 2024), no
Curso Espanhol Acessível: línguas estrangeiras em todos os sentidos – Versão Mi
Cariño. O mencionado curso é uma das ações extensionistas que compõem o
Programa Mais Inclusão: Construindo letras acessíveis, cadastrado na Pró-Reitoria
de Extensão da Universidade Federal do Ceará desde 2022. O Curso relaciona-se
diretamente ao projeto de pesquisa Letramentos, Discursos e Ensino de Línguas
em Atendimentos de Estimulação Multissensorial que conta com o financiamento
da FUNCAP, por meio dos Editais: N.º 7/2023 - FUNCAP PRÓ-HUMANIDADES e
EDITAL N.º 6/2023 - FUNCAP UNIVERSAL. A ação fundamenta sua práxis na Teoria
Social do Discurso (Chouliaraki; Fairclough, 1999; Fairclough, 2001, 2003, 2010, 2012),
bem como na Teoria Social do Letramento (Barton; Hamilton, 1998; Rios, 2009;
Street, 1984). Ao abordar a interface entre infância, deficiência e ensino de línguas,
pautamos a capacidade compulsória a partir das discussões empreendidas por
Robert McRuer (2024). As implicações advindas do que Canagarajah propõe por
corporificação anômala fundamentam a busca por um ensino de línguas
indisciplinar (Moita Lopes, 2006) e crip (Canagarajah, 2023). O relato detalha a
evolução do projeto: a primeira edição (2022) serviu como fase piloto; a segunda
(2023) marcou uma virada metodológica com a sistematização de temas focados
nas vivências das crianças e a intensificação dos recursos multimodais; e a terceira
(2023) focou na elaboração de uma Escala de Sondagem para registrar impressões
dos cursistas, levantando o desafio da escuta e do protagonismo de participantes
não verbais. Como resultado dessas discussões, evidenciou-se que o curso
construiu um caminho para um ensino de línguas mais engajado e cuidadoso,
reforçando a importância da intersetorialidade entre educação, saúde e uma
perspectiva crítica e sensível da deficiência.

 

DOI: 10.29327/2771055.3.2-8

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Publié-e

2026-01-23